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Prevenção é a melhor forma de reduzir a mortalidade por câncer

No Dia Nacional de Combate ao Câncer, especialistas do Hospital Ophir Loyola alertam para fatores que podem gerar novos casos da doença

27/11/2021 19h20
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Por: Adão Gomes Fonte: Secom Pará
Foto: Reprodução/Secom Pará
Foto: Reprodução/Secom Pará

Um terço dos novos casos de câncer no mundo poderia ser evitado com medidas preventivas. Contudo, está entre as quatro principais causas de mortalidade antes dos 70 anos de idade na maioria dos países. No Brasil é apontado como a segunda doença que mais mata. Até o final do ano, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimou a ocorrência de 625 mil novos casos no País. O tipo mais incidente é o câncer de pele não melanoma (177 mil casos novos), seguido dos tumores de mama e de próstata (66 mil, cada), cólon e reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil).

Em várias cores, laços que simbolizam as campanhas nacionais de combate ao câncer
Em várias cores, laços que simbolizam as campanhas nacionais de combate ao câncer - (Foto: Divulgação)

A data de 27 de Novembro é o Dia Nacional de Combate ao Câncer. A data foi criada pelo Ministério da Saúde para ampliar o conhecimento da população sobre informações a respeito da prevenção, e assim reduzir a mortalidade.

A doença degenerativa é resultante do acúmulo de lesões no material genético das células, que induz o processo de crescimento, reprodução e dispersão anormal das células. Em geral, pode levar anos para que uma célula cancerosa se prolifere e origine um tumor. Os efeitos cumulativos de diferentes agentes cancerígenos, em uma determinada frequência e período de tempo, são responsáveis pelo início, promoção, progressão ou inibição do tumor.

As medidas preventivas são essenciais para reduzir o número de novos casos, a mortalidade e a incidência da doença, como os programas de controle ao tabagismo, promoção da alimentação saudável, vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) e realização de consultas periódicas e exames preventivos, como o Papanicolau.

Há dois anos, Jeisyane Souza, 28 anos, foi diagnosticada com sarcoma no rosto, uma neoplasia maligna que se desenvolve a partir de certos tecidos, como osso ou músculo. O tumor a impossibilitava de falar, a respiração só era possível através da traqueostomia e a alimentação com um canudo. “Em 2020, sofri uma hemorragia e fiquei em estado grave. Mas com muita fé, saí daquela situação. Hoje respiro sem a ‘traqueo’ e faço o controle para detectar uma possível recidiva”, conta.

Fatores- Danielle Feio, chefe da Oncologia Clínica do Hospital Ophir Loyola, afirma que a maioria dos casos está associada a fatores ambientais e ao estilo de vida. “O tabagismo causa diversos tipos de câncer, sendo responsável por 90% dos casos de pulmão, enquanto o consumo de bebida alcoólica pode dar origem ao câncer de boca, orofaringe e laringe. É preciso evitar a exposição excessiva ao sol para prevenir o câncer de pele, e existem outros fatores, como as infecções crônicas por vírus, como HPV, Hepatite B e C, além do envelhecimento, obesidade, radiação e exposição às substâncias químicas que contribuem para o aumento dos casos”, alerta.

Médica Danielle Feio, chefe da Oncologia Clínica do 'Ophir Loyola'
Médica Danielle Feio, chefe da Oncologia Clínica do 'Ophir Loyola' - (Foto: Divulgação)

Outros fatores de risco, como condições imunológicas e genéticas, estão associados à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. A genética pode tornar alguns indivíduos mais suscetíveis ou não à ação dos agentes ambientais. “Os casos de cânceres originados exclusivamente por fatores hereditários, familiares ou étnicos são raros. Porém, a interação entre os fatores modificáveis, e os não modificáveis, é determinante no risco individual de desenvolver o câncer”, explica a oncologista clínica.

Danielle Feio adverte que, em caso de histórico familiar de câncer, a pessoa deve passar por avaliação e exames periódicos. “Ao apresentar alguma suspeita, a recomendação é que seja encaminhada a um oncologista para fazer o diagnóstico precoce, para aumentar as chances de cura, porque as neoplasias malignas são capazes de invadir outros órgãos, resistir ao tratamento e causar o óbito”, reitera.

Moradora do bairro do Tapanã, em Belém, Edna Passos, 56 anos, está em tratamento contra um câncer de estômago. A mãe de Edna faleceu devido à doença, diagnosticada em fase de metástase. “Eu exercia a função de marisqueira e consumia bastante fritura, camarão e charque com açaí ou chibé, e quase nada de verduras e frutas. Minha alimentação era muito saborosa, mas pouco saudável. Este ano, comecei a ter problemas com gases, um arroto muito forte. Através de uma endoscopia fui diagnosticada com um tumor maligno em fase inicial”, conta.

Tratamento- É de responsabilidade da alta complexidade o estadiamento (avaliar o grau de disseminação da neoplasia) e a conduta terapêutica. A Atenção Básica deve fazer o diagnóstico precoce, encaminhar e referenciar os exames especializados para a média complexidade e, posteriormente, caso comprovado o câncer, para hospitais de referência.

Hospital Ophir Loyola: Centro de Alta Complexidade em Oncologia
Hospital Ophir Loyola: Centro de Alta Complexidade em Oncologia - (Foto: RODOLFO OLIVEIRA / ARQUIVO AG. PARÁ)
Para iniciar o tratamento no Hospital Ophir Loyola, Centro de Alta Complexidade em Oncologia do Pará (Cacon), o paciente deve ser referenciado pela Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Secretaria Municipal de Saúde do município de origem.

Na primeira consulta no Cacon, o oncologista solicita alguns exames para detectar a fase de tumoração. Geralmente, dependendo do estado clínico do paciente, tipo e localização do câncer, o especialista solicitará a cirurgia, encaminhará para rádio ou quimioterapia. O paciente é cadastrado e recebe uma carteirinha. Também é emitida uma guia médica para que agende o retorno e exames dentro do próprio ambulatório do Hospital.

Por Leila Cruz (HOL)
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